segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Direção e Assessoria da ACORNUVE reuniu nesta segunda feira com a Superintencia do INCRA regional Oeste do Pará, para definer a implantação do PRONERA no Assentamento Juruti Velho. 

CONSELHO E DIRETORES DA ACORJUVE REUNIRÁ DIA 23 DE DEZEMBRO


Dia 23 de dezembro novo conselho fiscal da ACORJUVE reunirá no Centro Tabor - Vila Muirapinima para a formação da equipe representante. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

JURUTI VELHO A GARRA DA MULHER RIBEIRINHA

IMAGEM DE JURUTI VELHO




PARÓQUIA DO MUNICÍPIO DE JURUTI TEM NOVO PÁROCO

Padre Rodney Henriques assumiu, no último domingo (11), a Paróquia Nossa Senhora da Saúde, município de Juruti, como Pároco. A solenidade ocorreu durante a missa presidida pelo Bispo da Diocese de Óbidos, Dom Frei Bernardo Bahlmann - OFM, que passou às mãos do referido padre a Provisão de Administrador Paroquial. Esta provisão confere a ele “todas as faculdades, direitos e privilégios que os cânones, as prescrições diocesanas e os costumes aprovados, conterem aos que exercem as funções paroquiais”.
Junto com Dom Bernardo e Padre Rodney concelebraram: Padre Alfonso e Padre Fernando, ambos alemães, que há três décadas trabalham na paróquia; Padre Sérgio, recém chegado de Juiz de Fora – MG,  Arquidiocese Irmã da Diocese de Óbidos e Padre Anchieta,  que retornará a Arquidiocese de Juiz de Fora, depois de 03 anos em Juruti e 02 anos como Administrador Paroquial. A comunidade católica se fez presente em um número expressivo.
Muitas homenagens e agradecimentos foram feitas ao Padre Anchieta pelo seu trabalho e zelo pastoral. Padre Rodney é natural de Dores da Vitória (Distrito de Mirai - MG). Têm 7 (sete) anos e 10(dez) meses de sacerdócio, também padre da Arquidiocese de Juiz de Fora e a 1 ano e 5 meses em missão em Juruti
Fonte: http://www.agorajuruti.com.br

TENSÃO NO OESTE DO PARÁ: MPF PEDE PROTEÇÃO URGENTE PARA TESTEMUNHA AMEAÇADA

Homem que denunciou extração ilegal de madeira já sofreu atentado

 O Ministério Público Federal enviou ofício à Secretaria de Segurança Pública do Pará pedindo proteção urgente para mais uma testemunha ameaçada no caso dos madeireiros que invadem, através do Projeto de Assentamento Areia – em Itaituba – a Floresta Nacional de Trairão e o Parque Nacional do Jamanxim, em Trairão e a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, em Altamira, no Pará. O nome da testemunha está sendo mantido em sigilo por motivos de segurança.

A testemunha sofreu um atentado a bala no local onde mora, no assentamento, no início de dezembro. Outra testemunha do mesmo caso, João Chupel Primo, foi assassinado em outubro na localidade de Miritituba, em Itaituba. Ele foi morto depois de denunciar a extração ilegal de madeira, que tem como porta de entrada o PA Areia, em Itaituba, mas vem colocando em risco a vegetação e os moradores até a Resex Riozinho do Anfrísio, em Altamira. Na Resex, os madeireiros já ameaçaram o líder comunitário Raimundo Belmiro.

O pedido do MPF ao secretário Luiz Fernandes é que designe proteção policial urgente para os ameaçados nesse caso, já que o risco de novas tentativas de assassinato é iminente. Na semana passada, depois do atentado à testemunha, a Polícia Civil prendeu Vilson Gonçalves, vice-prefeito do município de Rurópolis, na Transamazônica, e Carlos Augusto da Silva, ambos acusados pela morte de João Chupel. Mesmo com as prisões, as ameaças às outras testemunhas continuam.

Em resposta a pedidos do MPF e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) houve uma operação de combate à exploração ilegal de madeira na região no fim de novembro. Os resultados ainda não foram convertidos em relatório. O ofício do MPF pedindo proteção policial foi enviado hoje ao secretário de segurança.

Belém, 15 de dezembro de 2011

ARTISTAS E LIDERANÇAS INDÍGENAS PROMOVEM MARCHA PELA VIDA

No próximo dia 22 de dezembro será a vez do Estado do Amazonas fazer ecoar seu grito de guerra contra Belo Monte. Um grupo formado por artistas, professores, estudantes, intelectuais e lideranças indígenas estará realizando, a partir das 17 horas, a Marcha pela Vida, saindo do centro histórico de Manaus e percorrendo algumas ruas da cidade. A intenção é chamar a atenção da população sobre a construção da hidrelétrica no rio Xingu, nas proximidades da cidade de Altamira, no Pará.

“A hidrelétrica nos incomoda em tamanho, falta de transparência dos recursos empregados e perda da biodiversidade”, revela a jornalista e escritora Regina Melo, que considera a obra um acinte ao bom senso.  “Não é apenas a questão de Belo Monte que nos incomoda, mas as medidas que vêm sendo tomadas com riscos ambientais irreversíveis. O Brasil está dando passos para trás”, disse a jornalista, que encampa o movimento.

A informação é do sítio Racismo Ambiental, 15-12-2011.

MP INGRESSA COM REPRESENTAÇÃO POR PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA

O Ministério Público do Estado, em Óbidos, por meio da promotora de justiça Eliane Moreira, ingressou na justiça eleitoral com representação por propaganda eleitoral antecipada, contra Helder Zahluth Barbalho, Manoel Gabriel Siqueira Guerreiro e Mário Henrique de Souza Guerreiro.
A representação foi motivada por entrevista realizada pelos representados em setembro de 2011 na rádio comunitária Sant’ Anna, quando, de acordo com gravação transcrita pelo MP, foi feito o lançamento da candidatura de Mário Henrique à prefeitura de Óbidos.
A Lei n° 9.504/97, base da representação da promotoria, dispõe no art.36, que a propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição. Por esse motivo o MP requereu à justiça eleitoral a notificação dos representados e a condenação ao pagamento de multa estabelecida na mesma Lei, a imposta a cada um deles, que pode variar de R$5 a 25 mil.
Segundo a promotoria, as gravações demonstraram que os representados “procuraram além de apresentar seu candidato, apontar quais suas intenções e propostas para o cargo, bem como associar sua imagem à de políticos proeminentes no estado do Pará”. E ressalta que Mário Henrique concorreu nas últimas eleições para o cargo de prefeito de Óbidos, e alcançou 34,84% do total de votos.
O MP lembra a Lei 9504/97 permite entrevista em rádios, porém veda “expressamente a menção à futura candidatura, bem como qualquer conteúdo que insira a postulação de votos, ainda que de forma mascarada”, menciona a representação.

Fonte:http://www.mp.pa.gov.br

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

IAMAGEM DA ASSEMBLEIA DA ACORJUVE

Assembleia de apresnetação e aprovação do PDA do PAE Juruti Velho

ENTREVISTA COM PE. EDILBERTO SENA SOBRE HIDRELÉTRICAS

Padre Edilberto Sena, amazônida e defensor da vida, conversa durante uma entrevista* com as crianças da Turma 4ª B, do Colégio São Raimundo Nonato, durante o Passo Cultural, com o tema: “Hidrelétricas”.

Alunos: O que poderá acontecer com as plantações se as áreas agricultáveis forem inundadas?

Pe. E.S: Eu quero que vocês olhem Curua-Una, para ver o que aconteceu. Lá fizeram um lago, inundaram a floresta para fazer a hidrelétrica. Em 1974 fizeram o lago, os tocos de árvore ainda estão em pé. Mas, não nasceu mais nada. Por que água não nasce. A desgraça é que a hidrelétrica vai afogar as matas, as árvores vão morrer, apodrecem.

Alunos:
E fizeram isso para dar lugar a hidrelétrica?

Pe. E.S: Exatamente. Se nós ficarmos calados e deixarmos “eles” fazerem isso. Vão fazer uma barragem, um paredão de 36 metros de altura. Mas ou menos do tamanho do prédio da Telemar. Vão fechar o rio, vão embora 730 km quadrados. Água entrando pela mata, afogando tudo. E vai acontecer uma desgraça. Porque afogando a mata, destroem as árvores, os frutos, os peixes, os animais...

Alunos:
E vai inundar nossa cidade?

Pe.E.S: Não. Mas nosso rio pode secar. Vão jogar água nas turbinas e o Tapajós pode baixar. Se vocês forem olhar o Rio Amazonas agora, vão ver que a água barrenta do Amazonas já está entrando na frente da cidade. E quando o verão é forte a água do Amazonas empurra a do Tapajós. O pessoal que tá lá em Boim, anda muito a pé para pegar o barco, porque o rio está baixo...E se deixarmos fazer essas barragens podemos perder nossas praias.

Alunos: Então, o Senhor é contra as hidrelétricas da região?

Pe. E.S: Sou contra Sim. Primeiro, uma hidrelétrica destrói o rio, expulsa os que moram e vivem do rio. Já pensou o “caboco” que mora perto do rio. Pesca, rema, vive da mata e do rio. Ai vem pra cidade, fazer o quê? Daí, por que o governo quer fazer mais hidrelétricas em nossa região? Já temos energia suficiente. Não precisamos mais de hidrelétricas. Temos uma imensa em Tucurui. Agora, quem está precisando? As grandes empresas estrangeiras, como a ALCOA, CARGILL, MRN? Essas sim precisam de mais energia para levar nossas riquezas. E para atender os interesses delas. E ficam cada vez mais ricas.

Alunos:
Como pode haver aumento da produção do peixe, se há interferência na migração deles com a criação de hidrelétricas?

Pe. E.S: “Eles” vão fazer um paredão de 30 metros de altura que vai fechar o rio de um lado para o outro. E tem um bocado de peixe que a gente come aqui, o filhote, matrinxã, jaraqui, pescada...vários peixes que a vida deles é o seguinte...na época da desova vão embora botar seus ovinhos lá nas cachoeiras, longe e se vão fazer um paredão, como o peixinho vai subir? .Eles estão mentindo, dizendo que vai ter uma passagem, uma canalzinho para os peixes subirem. Mas aonde já? Os peixinhos vão saber subir esse canal? Vai ter placa indicando? Ei peixe é por aqui!! Vamos deixar de comer esses peixes. Simplesmente porque o governo federal não gosta da gente, não gosta de nós! Que brasileiro ele gosta? De Brasília?

Alunos: O Senhor como amazônida e defensor do meio ambiente, como vê a construção da Hidrelétrica de Belo Monte? Quais as conseqüências?

Pe. E.S: Gostei de você me chamar de Amazônida. E vocês também são amazônidas. O que significa ser uma amazônida? É uma pessoa que ama sua região, que gosta de seu povo, que gosta de tacacá, de piracui, de açaí, que cuida da sua gente, que luta para não destruir sua terra. E Belo Monte... É uma coisa do Demônio. O governo que construir 38 hidrelétricas na região. Lá (Belo Monte), é uma desgraça! Os estudiosos já mostraram que lá não vai servir para o povo. O governo mente. Os estudiosos já provaram que lá não tem força para gerar tanta energia. Vai acabar com tudo. E por quê? Por que o governo quer favorecer poucos. Poucos, mas com muito dinheiro. O governo deve favor. Na hora da campanha, essas empresas botam dinheiro. E nós, vamos ficar na miséria.

Alunos: Qual seria a solução para termos uma vida melhor com o desenvolvimento?

Pe. E.S: Os indios da Bolívia e do Peru têm uma compreensão de vida diferente do que a televisão mostra pra gente. Eles dizem assim, uma coisa é a gente viver bem e outra coisa é a gente bem viver, Na TV eles ensinam a gente a viver do jeito que eles querem. No supermecado tem a pasta de dente golgate, sorriso, oral B, essa e aquela...Sabonete, tem um monte....e os pais ficam doidos porque tem que comparar aquele que aparece na TV. O pobrezinho vai lá e vê o preço...Ai meu Deus! A sociedade ensina que viver bem é ter muita coisa, ter um monte de sapato, celular que faz isso e aquilo...E o índio disse o seguinte: “a gente precisa estar bem para viver bem. Apreciar a natureza, viver com simplicidade e respeitando os outros”.

Alunos: Padre, ainda pode ser impedido à construção de Belo Monte?

Poder pode. Vai depender só de nós! Como? Basta nos unirmos, mostrar que nós não queremos. A terra é nossa. O rio é nosso. O governo não pode passar em cima do povo. Nós temos poder para colocar e tirar qualquer governo, por que não podemos defender a nossa terra?
 
A entrevista foi coordenada pela jornalista Ansleíria Rodrigues, pais e alunos