quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

IAMAGEM DA ASSEMBLEIA DA ACORJUVE

Assembleia de apresnetação e aprovação do PDA do PAE Juruti Velho

ENTREVISTA COM PE. EDILBERTO SENA SOBRE HIDRELÉTRICAS

Padre Edilberto Sena, amazônida e defensor da vida, conversa durante uma entrevista* com as crianças da Turma 4ª B, do Colégio São Raimundo Nonato, durante o Passo Cultural, com o tema: “Hidrelétricas”.

Alunos: O que poderá acontecer com as plantações se as áreas agricultáveis forem inundadas?

Pe. E.S: Eu quero que vocês olhem Curua-Una, para ver o que aconteceu. Lá fizeram um lago, inundaram a floresta para fazer a hidrelétrica. Em 1974 fizeram o lago, os tocos de árvore ainda estão em pé. Mas, não nasceu mais nada. Por que água não nasce. A desgraça é que a hidrelétrica vai afogar as matas, as árvores vão morrer, apodrecem.

Alunos:
E fizeram isso para dar lugar a hidrelétrica?

Pe. E.S: Exatamente. Se nós ficarmos calados e deixarmos “eles” fazerem isso. Vão fazer uma barragem, um paredão de 36 metros de altura. Mas ou menos do tamanho do prédio da Telemar. Vão fechar o rio, vão embora 730 km quadrados. Água entrando pela mata, afogando tudo. E vai acontecer uma desgraça. Porque afogando a mata, destroem as árvores, os frutos, os peixes, os animais...

Alunos:
E vai inundar nossa cidade?

Pe.E.S: Não. Mas nosso rio pode secar. Vão jogar água nas turbinas e o Tapajós pode baixar. Se vocês forem olhar o Rio Amazonas agora, vão ver que a água barrenta do Amazonas já está entrando na frente da cidade. E quando o verão é forte a água do Amazonas empurra a do Tapajós. O pessoal que tá lá em Boim, anda muito a pé para pegar o barco, porque o rio está baixo...E se deixarmos fazer essas barragens podemos perder nossas praias.

Alunos: Então, o Senhor é contra as hidrelétricas da região?

Pe. E.S: Sou contra Sim. Primeiro, uma hidrelétrica destrói o rio, expulsa os que moram e vivem do rio. Já pensou o “caboco” que mora perto do rio. Pesca, rema, vive da mata e do rio. Ai vem pra cidade, fazer o quê? Daí, por que o governo quer fazer mais hidrelétricas em nossa região? Já temos energia suficiente. Não precisamos mais de hidrelétricas. Temos uma imensa em Tucurui. Agora, quem está precisando? As grandes empresas estrangeiras, como a ALCOA, CARGILL, MRN? Essas sim precisam de mais energia para levar nossas riquezas. E para atender os interesses delas. E ficam cada vez mais ricas.

Alunos:
Como pode haver aumento da produção do peixe, se há interferência na migração deles com a criação de hidrelétricas?

Pe. E.S: “Eles” vão fazer um paredão de 30 metros de altura que vai fechar o rio de um lado para o outro. E tem um bocado de peixe que a gente come aqui, o filhote, matrinxã, jaraqui, pescada...vários peixes que a vida deles é o seguinte...na época da desova vão embora botar seus ovinhos lá nas cachoeiras, longe e se vão fazer um paredão, como o peixinho vai subir? .Eles estão mentindo, dizendo que vai ter uma passagem, uma canalzinho para os peixes subirem. Mas aonde já? Os peixinhos vão saber subir esse canal? Vai ter placa indicando? Ei peixe é por aqui!! Vamos deixar de comer esses peixes. Simplesmente porque o governo federal não gosta da gente, não gosta de nós! Que brasileiro ele gosta? De Brasília?

Alunos: O Senhor como amazônida e defensor do meio ambiente, como vê a construção da Hidrelétrica de Belo Monte? Quais as conseqüências?

Pe. E.S: Gostei de você me chamar de Amazônida. E vocês também são amazônidas. O que significa ser uma amazônida? É uma pessoa que ama sua região, que gosta de seu povo, que gosta de tacacá, de piracui, de açaí, que cuida da sua gente, que luta para não destruir sua terra. E Belo Monte... É uma coisa do Demônio. O governo que construir 38 hidrelétricas na região. Lá (Belo Monte), é uma desgraça! Os estudiosos já mostraram que lá não vai servir para o povo. O governo mente. Os estudiosos já provaram que lá não tem força para gerar tanta energia. Vai acabar com tudo. E por quê? Por que o governo quer favorecer poucos. Poucos, mas com muito dinheiro. O governo deve favor. Na hora da campanha, essas empresas botam dinheiro. E nós, vamos ficar na miséria.

Alunos: Qual seria a solução para termos uma vida melhor com o desenvolvimento?

Pe. E.S: Os indios da Bolívia e do Peru têm uma compreensão de vida diferente do que a televisão mostra pra gente. Eles dizem assim, uma coisa é a gente viver bem e outra coisa é a gente bem viver, Na TV eles ensinam a gente a viver do jeito que eles querem. No supermecado tem a pasta de dente golgate, sorriso, oral B, essa e aquela...Sabonete, tem um monte....e os pais ficam doidos porque tem que comparar aquele que aparece na TV. O pobrezinho vai lá e vê o preço...Ai meu Deus! A sociedade ensina que viver bem é ter muita coisa, ter um monte de sapato, celular que faz isso e aquilo...E o índio disse o seguinte: “a gente precisa estar bem para viver bem. Apreciar a natureza, viver com simplicidade e respeitando os outros”.

Alunos: Padre, ainda pode ser impedido à construção de Belo Monte?

Poder pode. Vai depender só de nós! Como? Basta nos unirmos, mostrar que nós não queremos. A terra é nossa. O rio é nosso. O governo não pode passar em cima do povo. Nós temos poder para colocar e tirar qualquer governo, por que não podemos defender a nossa terra?
 
A entrevista foi coordenada pela jornalista Ansleíria Rodrigues, pais e alunos

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MPE VAI À REGIÃO DO MAMURU OUVIR COMUNITÁRIOS AMEAÇADOS


foto: Bel - Acorjuve

A promotora de justiça Lílian Braga reuniu em audiência com a comunidade de Monte Carmelo, para ouvir pessoas ameaçadas de morte em virtude de crimes ambientais ocorridos na região. A solicitação foi feita ao MP pelo Movimento Juruti em Ação, que congrega a Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Rio Mamuru (Aprim). A promotora visitou ainda a comunidade do Mirizal e a aldeia Ipiranga dos índios Sateré Maué.

O MPE esteve ainda na comunidade Bela Vista para apurar denúncias relativas a uma pista de pouso próxima a estrada que liga a região do Mamuru a sede do município de Juruti. A pista estaria sendo utilizada para o tráfico de entorpecentes e ainda por empresários madeireiros da região.
A região do Rio Mamuru é a área onde ocorre destinação fundiária a comunidades tradicionais, por meio do Iterpa. O decreto estadual n° 2.587, de 28 de outubro de 2010, criou o Pró-Assentamento Estadual (PROA) Mamuru, com 136.524,0033 hectares, para fins de posterior implementação do Projeto Estadual de Assentamento Agroextrativista Mamuru, e assim, regularizar a ocupação de terras cultivadas por aproximadamente 300 famílias. Nesta região tem como extremante a área de concessão florestal do estado do Pará, coordenada pelo IDEFLOR, por meio da concorrência 01/2011.
Durante as visitas a região foram feitas diversas denúncias dos comunitários ao MP. As ameaças de morte, segundo a promotora, são em virtude de crimes ambientais que estão sendo cometidos na região, especialmente, comercialização de quelônios e peixes e extração e comercialização ilegal de madeira.
Em Monte Carmelo residem 11 famílias que vivem da agricultura familiar, pesca e exploração de produtos florestais. Nas comunidades do rio Mamuru não há postos de saúde ou qualquer técnico na área de saúde para atendê-los. Os doentes mais graves são encaminhados para o município de Parintins.
Mirizal – Nessa comunidade a promotora foi ouvir os moradores na escola local, que estão preocupados com a movimentação na floresta por conta da concessão florestal. “As pessoas que se sentem ameaçadas e as que já foram ameaçadas é por conta da retirada ilegal de madeira e ocupação indiscriminada do território”, informa Dr. Lílian.
Com relação às denúncias, o Ministério Público já pediu providências às polícias Civil, e Militar Ambiental, ao Ideflor e ao Iterpa, além da intervenção da Ouvidoria Agrária Nacional para acompanhar a situação. “A situação é delicada, pois estão longe de tudo e de todos, mas muito perto da madeira que é tão cobiçada economicamente”, ressalta a promotora, que diz ainda da necessidade do Estado em concluir a destinação fundiária da comunidade, o que poderia fortalecê-los para terem condições de acompanhar de forma mais justa a questão madeireira na região.

Fonte: http://www.mp.pa.gov.br/

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ITERPA FAZ GEOREFERENCIAMENTO PARA CRIAR ASSENTAMENTO EM JURUTI

O Instituto de Terras do Pará (ITERPA) continua em Juruti para finalizar os trabalhos de georreferenciamento na área de assentamento da região do Curumucuri e para cadastrar todas as pessoas que não querem fazer parte do Projeto Estadual de Assentamento Agroextrativista (PEAEX). A conclusão dessa etapa está prevista para acontecer em dezembro.

O gerente de Projeto de Assentamento do ITERPA, Eric Batista, está atendendo na Secretaria Municipal de Governo da Prefeitura de Juruti até o dia 02. “Estamos aqui para esclarecer quais são os benefícios, quais os pros e contras de participar do PEAEX do Curumucuri. Vamos vistoriar lote a lote, porque queremos separar o pessoal que realmente ocupa, tem direito e não tem afinidade com o Projeto, pois não é a modalidade de vida econômica dos clientes dos projetos de assentamento, daquelas que estão apenas para tumultuar o processo”, disse o gerente.

Os trabalhos do ITERPA no município, está recebendo apoio da Prefeitura de Juruti, para facilitar o trabalho de regularização fundiária.

O assessor especial de Governo da Prefeitura de Juruti, Antônio João Campos, afirma que é importante apoiar essa ação porque vai resolver um grande problema fundiário. “Nós temos dado todo o apoio possível, primeiramente com a vinda da Força Tarefa, em que enxergamos uma possibilidade de definitivamente a gente terminar de regularizar a área da Gleba Curumucuri que tem uma serie de problemas, como problemas ambientais e fundiários. Isso representa a paz para o município, principalmente nessa área onde o conflito fundiário está iminente”, disse o assessor.

No Pará, já existem 18 projetos de assentamento, sendo oito na região Oeste, localizadas nos municípios de Santarém, Oriximiná, Prainha e Juruti. O projeto de assentamento do Curumucuri corresponde a uma área de 122 mil hectares, em que se tem 1.756 famílias cadastradas de 41 comunidades.

 Fonte - Semcom/Juruti

MINISTÉRIO PÚBLICO E ACORJUVE FIRMAM TAC PARA COIBIR VENDA DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NO PAE JURUTI VELHO

O Ministério Público do Estado (MPE), por meio da promotora de justiça de Juruti, Lílian Regina Furtado Braga e em parceria com Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (Acorjuve), firmou Termo de Ajustamento de Conduta com a Comunidade Diamantino, do Projeto Agroextrativista (PAE) Juruti Velho .
            O objetivo é proibir a venda de bebida alcoólica a menores de 18 anos e  adequar o funcionamento de restaurantes, bares e afins para prevenir a poluição sonora.
            Na ocasião, a promotora ministrou palestra com o tema “Violência Sexual contra criança e adolescente”. Segundo Dr. Lílian Braga, o assunto foi abordado devido a “a ocorrência de abusos sexuais contra crianças e adolescentes, especialmente no interior do município. As palestras têm sido utilizadas como forma de prevenir os crimes sexuais na região de Juruti”

Fonte - MPE

GOVERNO QUER VOTAÇÃO DE CÓDIGO AINDA ESTE ANO

O Palácio do Planalto está confiante de que o novo texto do Código Florestal será aprovado ainda neste ano na Câmara, afirmou a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
"Se houver acordo entre a maioria dos líderes é possível votá-lo (o Código) antes do final do ano. É claro que estamos a poucos dias de votação (recesso), mas já que os líderes da Câmara acompanharam as tratativas, as negociações e os acordos no Senado, essa possibilidade existe. Estamos confiantes de que, se houver possibilidade, poderemos votar", disse Ideli, que participou hoje da reunião do grupo de coordenação política com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.
Apesar do aparente otimismo, o governo prorrogou hoje, por meio de decreto a suspensão de multas a proprietários rurais que descumprem a atual lei ambiental por desmatamento. A prorrogação vai até 11 de abril.

DILMA SUSPENDE POR MAIS QUATROMESES MULTAS POR DESMATAMENTO

A presidente da República, Dilma Rousseff, assinou um decreto que prorroga por mais quatro meses a suspensão de multas aplicadas a proprietário rurais que descumprem a atual lei ambiental por desmatamento. O texto foi publicado no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (12).
O decreto anterior que suspendia as multas venceu neste domingo (11), o que deixaria milhares de produtores na ilegalidade. A intenção do governo é esperar a votação do Código Florestal na Câmara, que pode conceder anistia a parte dos produtores que devastaram suas terras. A suspensão das multas vale até 11 de abril de 2012.
Na sexta-feira (9), a assessoria da Casa Civil informou que o decreto estava pronto, mas ainda não havia sido assinado..
Essa é a terceira prorrogação da suspensão das multa. Em novembro de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia estendido por mais 18 meses o prazo para que produtores rurais façam o registro da reserva legal da propriedade em cartório sem que sejam notificados ou multados pelos órgãos ambientais. A presidente Dilma, por sua vez, prorrogou a suspensão mais uma vez, de 11 de junho deste ano para o último dia 11 de dezembro.
De acordo com líderes do governo e da oposição, o projeto que altera o Código Florestal – aprovado no último dia 5 no Senado - só deverá ser votado na Câmara dos Deputados em 2012. A proposta foi aprovada na Câmara em maio, mas como foi modificada no Senado, deverá passar por nova análise dos deputados.

Fonte:http://www.radioruraldesantarem.com.br

LULA UMA LUTA CONTRA O CÂNCER


Ex-presidente está internado em SP para terceira sessão de quimioterapia.

Ele luta contra câncer na laringe; tumor teve redução de 75%, diz médico.

BELO MONTE É MAIS BARATA E MENOS POLUENTE

Custos de mitigação dos impactos sócioambientais é inferior ao custo ambiental que uma térmica a gás natural ocasionaria

 A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída no Rio Xingu (PA) vai trazer menos impactos ambientais do que a utilização de alternativas com energias fósseis e os custos serão menores do que outras fontes renováveis. A conclusão está no estudo Análise Comparativa entre Belo Monte e Empreendimentos Alternativos: Impactos Ambientais e Competitividade Econômica, elaborado pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Na análise, os professores Nivalde José de Castro, André Luis da Silva Leite e Guilherme Dantas avaliam quais seriam as fontes alternativas a Belo Monte para o atendimento da demanda crescente por energia e os impactos ambientais dessas fontes. Segundo eles, caso Belo Monte não viesse a ser construída, seria necessária a implementação de fontes alternativas que suprissem a demanda, que teriam impactos ambientais maiores ou que não teriam consistência suficiente, em termos de segurança energética, para atender ao crescimento da necessidade por energia elétrica projetada para os próximos anos no Brasil.

“Belo Monte é uma obra eficiente, que tem que ser feita. O Brasil precisa de energia e qualquer nova unidade geradora de energia causa impacto ambiental, e temos que analisar o custo-benefício em relação às outras fontes de energia. Nesse estudo fica claro que a hidrelétrica é a que apresenta o melhor custo-benefício em relação às outras fontes”, disse Castro.

Os estudiosos apontam que o Brasil tem um grande potencial de fontes alternativas e renováveis de energia elétrica: eólica, biomassa e solar, mas a prioridade a essas fontes implicaria perda de competitividade da economia brasileira, em função do diferencial de custos em relação à hidreletricidade. Também poderia haver problemas de garantia e segurança de suprimento em razão da sazonalidade e da intermitência dessas fontes alternativas.
“Desta forma, em um cenário em que não fosse construída a usina de Belo Monte, a construção de usinas termoelétricas seria obrigatória de forma a manter o equilíbrio e segurança entre a carga e a oferta de energia. A questão que se coloca é quais seriam os impactos ambientais das alternativas fósseis e a comparação deles com os impactos ambientais de Belo Monte”, avalia o estudo.

A análise aponta também que os custos de mitigação dos impactos sócioambientais da Usina de Belo Monte são de cerca de R$ 3,3 bilhões, o que é inferior ao custo ambiental que uma térmica a gás natural ocasionaria, que seria de mais de R$ 24 bilhões. “Ou seja, a opção térmica possui um impacto ambiental quase oito vezes maior que o custo de mitigação ambiental de Belo Monte”.

Belo Monte é uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deve ser concluída até 2015. Com potência instalada de 11,2 mil megawatts, será a maior hidrelétrica totalmente brasileira (Itaipu, que tem 14 mil megawatts de potência, é binacional) e a terceira maior do mundo.



Fonte: ABr